Input AEP 2026-2028

Nuno Brochado, Presidente da Direção da Associação Empresarial de Penafiel

“O nosso grande objetivo é preparar as empresas e a Associação para o futuro”, assegura Nuno Brochado, presidente da Direção da AEP

Nuno Brochado, assumiu o seu último mandato frente aos destinos da Associação Empresarial de Penafiel e, nesta entrevista, faz um balanço do passado e projeta o futuro da centenária instituição penafidelense, refletindo sobre o caminho percorrido, a transição de liderança e a força de um tecido empresarial resiliente.

Neste novo mandato, Nuno Brochado reforça o compromisso de consolidar o trabalho feito, preparar as empresas para as exigências do futuro e deixar uma instituição sólida, inovadora e cada vez mais próxima dos seus associados.

Deu início a um novo mandato à frente dos destinos da Associação Empresarial de Penafiel. Que balanço faz do caminho percorrido até agora?

O balanço que faço é muito positivo, mas também muito consciente de que ainda há muito por fazer. Quando assumi a presidência da Associação Empresarial de Penafiel (AEP), fi-lo com a convicção de que a AEP tinha de ser uma Associação cada vez mais próxima dos empresários, mais dinâmica e mais relevante para o desenvolvimento do concelho. Hoje acredito que demos passos muito importantes nesse sentido.

Ao longo destes últimos anos reforçámos a presença da AEP junto dos associados, promovemos iniciativas que dinamizaram o comércio local, criámos projetos diferenciadores, estabelecemos novas parcerias e afirmámos a Associação como um interlocutor credível junto das entidades públicas e privadas. Mais do que organizar eventos ou prestar serviços, procurámos criar valor para as empresas e contribuir para a competitividade do nosso território.

Naturalmente, nem tudo está concluído. Vivemos num contexto económico em permanente transformação, onde os desafios da digitalização, da inteligência artificial, da qualificação dos recursos humanos e da internacionalização exigem uma resposta constante. É precisamente por isso que este novo mandato faz todo o sentido: porque queremos consolidar o trabalho desenvolvido, mas sobretudo preparar as empresas de Penafiel para o futuro.

Há uma ideia que sempre me acompanhou e que continua a orientar a nossa ação: quando as empresas crescem, cresce o emprego, cresce a economia local e cresce Penafiel. É por essa visão que continuaremos a trabalhar nos próximos três anos.

Já anunciou também que será o último mandato. Como projeta esta que será a sua missão final à frente da Associação?

Sempre disse que acreditava que os ciclos de liderança devem ter um princípio, um desenvolvimento e um fim. Este será, assumidamente, o meu último mandato à frente da Associação e encaro-o com um profundo sentido de responsabilidade.

Olho para estes próximos três anos como uma oportunidade para consolidar o trabalho realizado, preparar a Associação para os desafios do futuro e criar as condições para uma transição de liderança tranquila e sustentada. E gostava que, no final deste mandato, a AEP fosse reconhecida não apenas pelas iniciativas que promove ou pelos serviços que presta, mas sobretudo pela sua capacidade de influenciar positivamente o desenvolvimento económico de Penafiel.

O legado que ambiciono deixar é uma Associação preparada para continuar a evoluir, com uma equipa motivada, uma Direção forte e uma cultura de serviço que coloque sempre os interesses dos empresários e do concelho em primeiro lugar.

Como é que se prepara uma Associação com o peso da AEP para uma transição de liderança sem que se perca o rumo?

Penso que uma instituição sólida não pode depender de uma única pessoa. Esse é, talvez, um dos maiores desafios de qualquer organização com história: garantir que os projetos têm continuidade e que a visão da instituição se sobrepõe às pessoas que, em cada momento, a lideram.

Desde o início que procurei trabalhar nesse sentido. Apostámos em fortalecer a estrutura da Associação, em criar uma equipa competente e autónoma, em reforçar os processos internos e em envolver cada vez mais a Direção nas decisões estratégicas. Uma liderança não se constrói sozinha, constrói-se em equipa.

Preparar a sucessão significa também dar espaço ao aparecimento de novas lideranças, incentivar a participação e criar condições para que quem vier a seguir encontre uma Associação organizada, financeiramente equilibrada, credível e com uma estratégia bem definida.

Naturalmente, cada presidente deixará a sua marca e terá a sua forma de liderar. O importante é que não se percam os valores que têm orientado a AEP: proximidade às empresas, independência, espírito de iniciativa e compromisso com o desenvolvimento económico de Penafiel.

Esta nova Direção integra elementos da anterior Direção, mas também “sangue novo”. Que novas visões é que esta nova geração traz e como é que se equilibra a irreverência dos novos elementos com a experiência dos mais antigos?

Acredito que esse equilíbrio é uma das maiores mais-valias da Direção. Fizemos questão de manter pessoas que conhecem bem a Associação, mas entendemos igualmente que era importante abrir espaço a novos elementos, com diferentes percursos, novas competências e uma visão renovada sobre o futuro.

Mais do que uma renovação de pessoas, quisemos fazer uma renovação de pensamento e estou convicto de que esta diversidade de experiências e de gerações tornará a direção mais forte e permitirá à AEP continuar a evoluir ao ritmo das empresas e das exigências do nosso tempo.

No associativismo, a lealdade e as relações pessoais contam tanto ou mais do que os números da gestão? É com este sentimento de família que tem gerido a Associação?

Sem dúvida. Uma associação empresarial tem de ser bem gerida, rigorosa nas suas contas e eficiente na forma como desenvolve a sua atividade. Mas acredito que, no associativismo, os números, por si só, nunca contam toda a história.

Uma associação vive das pessoas, vive da confiança que os empresários depositam em nós, da disponibilidade dos dirigentes, do empenho dos colaboradores e da capacidade de criar relações duradouras com os nossos parceiros institucionais. Sem confiança, dificilmente se constrói um verdadeiro espírito associativo.

Ao longo destes anos procurei liderar a AEP com esse princípio e, quando falo em espírito de família, não me refiro a uma relação fechada ou exclusiva. Refiro-me a uma cultura de entreajuda, de compromisso e de responsabilidade partilhada.

Tenho tido o privilégio de trabalhar com uma Direção muito empenhada, com colaboradores dedicados e com parceiros que acreditam no trabalho da AEP.

Como carateriza o tecido empresarial do concelho hoje em dia, é mais tradicional ou já fortemente tecnológico?

Penafiel tem um tecido empresarial muito diversificado e essa é, precisamente, uma das suas maiores forças. Temos empresas familiares com décadas de história, que continuam a ser pilares da nossa economia, mas temos também empresários jovens, novas empresas e projetos inovadores que estão a introduzir novas formas de fazer negócio.

Se tivesse de o caracterizar numa palavra, diria que é um tecido empresarial resiliente, porque atravessaram desafios muito exigentes nos últimos anos e, apesar disso, demonstraram uma enorme capacidade de adaptação e continuaram a investir, a criar emprego e a gerar riqueza.

Naturalmente, existem ritmos diferentes de transformação. Há empresas que já incorporam ferramentas de inteligência artificial, processos de digitalização e modelos de gestão avançados. Outras ainda estão a dar os primeiros passos nesse caminho. O importante é perceber que a inovação não é exclusiva das grandes empresas.

O desafio dos próximos anos passa por acelerar esta transformação, utilizando as novas ferramentas para tornar as empresas mais competitivas, mais produtivas e mais preparadas para competir num mercado cada vez mais global.

É precisamente aí que a AEP pretende continuar a fazer a diferença: ajudando as empresas a transformar os desafios em oportunidades, através da formação, da capacitação, da inovação e da criação de redes de colaboração que reforcem a competitividade do nosso tecido empresarial.

O mundo empresarial mudou drasticamente nos últimos anos. Quais são as maiores dores de crescimento das empresas de Penafiel nesta adaptação?

Vivemos uma época de transformação sem precedentes. A digitalização, a inteligência artificial e a transição para modelos de negócio mais sustentáveis já não são tendências futuras, são realidades que estão a moldar o presente das empresas.

No caso de Penafiel, penso que o maior desafio não é a falta de vontade para inovar. Os empresários reconhecem a importância destas mudanças. O verdadeiro desafio está em encontrar tempo, recursos e competências para as concretizar, sobretudo nas pequenas e médias empresas, que constituem a grande maioria do nosso tecido empresarial.

A transformação digital implica investimento, formação e, muitas vezes, uma mudança de cultura organizacional. A inteligência artificial, por exemplo, representa uma oportunidade extraordinária para aumentar a produtividade e melhorar processos, mas ainda gera dúvidas e alguma apreensão. O mesmo acontece com a transição verde, onde muitas empresas enfrentam novas exigências legais e ambientais que implicam adaptações significativas.

Há ainda um desafio que considero transversal: a rapidez com que tudo evolui. Hoje não basta acompanhar a mudança, é preciso antecipá-la. E a AEP quer ser um parceiro que ajuda a interpretar estas mudanças, a aproximar as empresas das ferramentas disponíveis, a promover formação e a criar oportunidades de partilha de conhecimento.

Reter talento qualificado fora dos grandes centros urbanos é um desafio nacional. O que é que Penafiel e a AEP podem fazer para fixar jovens e profissionais qualificados na região?

A retenção de talento é um dos grandes desafios do país e Penafiel não é exceção. No entanto, acredito que o nosso concelho reúne hoje um conjunto de condições muito favoráveis para se afirmar como um território cada vez mais atrativo para viver, trabalhar e investir.

Importa reconhecer o trabalho que a Câmara Municipal de Penafiel tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos. O investimento na educação, na requalificação urbana, na cultura, no desporto, na habitação, nas acessibilidades e na qualidade de vida tem contribuído para tornar Penafiel um concelho cada vez mais competitivo e apelativo para as famílias e para os jovens. Essa visão é determinante para criar um território onde as pessoas queiram construir o seu futuro.

Mas um território atrativo precisa também de empresas fortes e capazes de oferecer oportunidades de carreira estimulantes.

Trabalhamos para apoiar as empresas na sua modernização, promover a inovação, incentivar a qualificação dos recursos humanos e aproximar o mundo empresarial das escolas, dos centros de formação e do ensino superior.

Vivemos tempos de inflação, incerteza geopolítica e custos de contexto elevados. Na prática, como é que a AEP pode ajudar um pequeno empresário local afetado por estas questões?

A AEP não consegue eliminar a inflação, reduzir diretamente os custos da energia ou resolver a instabilidade internacional. Mas pode ajudar as empresas a enfrentarem este contexto com mais informação, melhor preparação e menor isolamento.

A nossa primeira responsabilidade é ouvir. Perceber as dificuldades reais das empresas e procurar respostas adequadas a cada momento. Depois, cabe-nos disponibilizar informação clara sobre apoios, incentivos, formação, financiamento e alterações legislativas, ajudando os empresários a compreender oportunidades que, pela sua complexidade, nem sempre são fáceis de identificar. Compete-nos sinalizar problemas, apresentar propostas e defender condições mais favoráveis à atividade empresarial, assim como reforçar as redes de cooperação entre empresas.

Dos projetos liderados na AEP, há um que se destaca como exemplo de inovação: o Pen-X-Lab. Que frutos práticos é que este laboratório já deu e como é que ele vai moldar o futuro digital das empresas de Penafiel?

O Pen-X-Lab é um projeto de que nos orgulhamos particularmente, porque traduz uma mudança na forma como a AEP encara a inovação. Em vez de falarmos da transformação digital apenas de forma teórica, colocámos empresas e startups a trabalhar em conjunto na resolução de desafios concretos.

Na primeira edição, empresas de referência como a Aveleda, a M. Cunha, a Nortenha e a Silva & Vinha trabalharam, durante vários meses, com startups na procura de soluções relacionadas com a dupla transição digital e sustentável. No final, foram apresentadas respostas desenvolvidas a partir das necessidades reais dessas empresas, demonstrando que a inovação pode ser aplicada de forma prática e próxima do território.

O primeiro grande fruto do Pen-X-Lab foi, por isso, provar que este modelo funciona. Conseguimos aproximar dois mundos que nem sempre comunicam entre si e o projeto permitiu também criar relações.

Neste mandato, queremos aproveitar a experiência adquirida para consolidar e alargar esta dinâmica. A nossa ambição é envolver mais empresas, identificar novos desafios e transformar o Pen-X-Lab numa plataforma permanente de ligação entre o tecido empresarial, as startups, o conhecimento e a tecnologia.

O caminho percorrido pela AEP tem contado com várias parcerias, entre as quais com a Câmara Municipal e outras entidades. Como antevê que será a cooperação entre a AEP e estas entidades?

A cooperação entre a AEP e a Câmara Municipal tem sido muito importante para o trabalho desenvolvido nos últimos anos e estou convicto de que continuará a aprofundar-se neste mandato.

A autarquia tem realizado um trabalho relevante na valorização do território, na melhoria da qualidade de vida, na requalificação urbana e na criação de condições para tornar Penafiel mais atrativo para viver, visitar e investir.

A AEP complementa esse percurso através da proximidade às empresas, do conhecimento das suas dificuldades e da capacidade de transformar essas necessidades em propostas e iniciativas concretas.
Existe um alinhamento claro quanto ao objetivo principal: promover o desenvolvimento económico e social de Penafiel. O mais importante é que existe disponibilidade de ambas as instituições para trabalhar em conjunto.

Quais são os projetos mais significativos para a AEP, que pretendem desenvolver/concluir neste mandato?

Este mandato terá uma dimensão importante de consolidação, mas também de renovação. Queremos dar continuidade ao que já existe, mas também avaliar o impacto dos projetos desenvolvidos, melhorar aquilo que funciona e criar novas respostas para necessidades que hoje são diferentes das que existiam há alguns anos.

A qualificação das pessoas continuará igualmente no centro da nossa atuação e outro eixo muito relevante será o apoio às empresas no acesso aos instrumentos de financiamento e aos programas do Portugal 2030.

Há ainda uma nova área à qual queremos dar particular atenção neste mandato: o turismo. Penafiel possui património, paisagem, gastronomia, cultura, tradição e uma localização privilegiada. Contudo, não basta ter recursos turísticos. É necessário organizá-los, promovê-los e transformá-los em experiências capazes de atrair visitantes, prolongar a sua permanência no concelho e gerar valor económico para as empresas locais.

Esta aposta deverá também aproveitar e reforçar iniciativas que já conquistaram uma forte ligação à comunidade, como o Flores & Sabores, o Petiscando em Penafiel e os projetos associados às épocas festivas, projetos que não são apenas momentos de animação, mas são instrumentos de promoção económica, de valorização dos empresários e de atração de visitantes.

Queremos ainda reforçar a ligação entre as empresas, as escolas, os centros de formação, o ensino superior e as instituições do território. Existe também um trabalho interno que considero fundamental: modernizar a própria AEP, melhorar os seus processos, reforçar a proximidade com os associados e preparar a instituição para a futura transição de liderança.

Que custos pessoais teve esta caminhada na liderança da AEP?

O associativismo exige muito mais do que aquilo que normalmente é visível, há muitas horas de trabalho e, esse tempo é inevitavelmente retirado à família, à atividade profissional e, muitas vezes, ao próprio descanso.

Ao longo destes anos, houve momentos familiares em que não consegui estar tão presente, também a minha empresa teve de absorver parte dessa ausência. Só me foi possível assumir estas funções porque conto com uma equipa competente, responsável e disponível e o mesmo se aplica à minha família e, em particular, às pessoas que me acompanham diariamente. O apoio de quem me é próximo tem sido determinante, quer na atividade profissional, quer na gestão das exigências que esta função implica.

Não digo isto num tom de queixa. Aceitei este desafio de forma livre e sempre soube que teria custos. Servir uma instituição e contribuir para o desenvolvimento do concelho é um privilégio, mas nenhum cargo deve fazer-nos esquecer as pessoas que suportam, muitas vezes em silêncio, o peso dessa escolha.

Por isso, quando faço o balanço desta caminhada, sei que os resultados da AEP nunca foram apenas meus. Pertencem também àqueles que aceitaram as minhas ausências, compreenderam as minhas preocupações e permitiram que eu tivesse tempo e condições para me dedicar à Associação.

Quando o seu mandato terminar, onde é que vamos ver o Nuno Brochado?

Quando este mandato terminar, quero regressar com maior disponibilidade à minha atividade profissional, à minha família e aos projetos pessoais.

Assumi a integrar a Direção da AEP desde 2014 com um verdadeiro sentido de missão, nunca como uma carreira ou como um fim em si mesmo.

Por isso, não sinto necessidade de estar permanentemente ligado a cargos. Naturalmente, o associativismo deixa marcas e a vontade de contribuir não desaparece no dia em que termina um mandato.

Mas qualquer desafio futuro terá de surgir de forma natural e fazer sentido. Até lá, a minha prioridade é cumprir plenamente este último mandato e deixar a AEP preparada para continuar o seu caminho.

Os rostos da Direção da Associação Empresarial de Penafiel para o triénio de 2026-2028

Presidente

Presidente

Nuno Filipe do Couto Alves Brochado

Em representação do Sócio nº 325, Penasegur-Mediação de Seguros, Lda.

Vice Presidente

Vice Presidente

Pedro Miguel Sequeira e Cunha

Em representação do Sócio nº 829, Cosy Shadow Lda.

Tesoureiro

Tesoureiro

Pedro José Gomes de Melo

Em representação do Sócio nº 211, Fernando Ferreira de Melo, Lda.

Secretário

Secretário

Francisco Alves Gomes

Em representação do Sócio nº 360, Tyregom Internacional, Lda.

Vogal

Vogal

Tiago Simão Mendes Nunes Ribeiro

Em representação do Sócio nº 208, Mundo dos Fatos - Comércio de Vestuário, Lda.