Input do Colunável

Francisco Gomes, Vogal da Direção da Associação Empresarial de Penafiel

Perspetivas económicas para Portugal em 2026

As perspetivas económicas para Portugal em 2026 apontam para um cenário globalmente favorável, ainda que sujeito a riscos externos e desafios internos. As principais instituições nacionais e internacionais antecipam um crescimento moderado, mas positivo, com o produto interno bruto a expandir-se em torno de 2% ao longo do ano. Este ritmo de crescimento, ligeiramente acima da média prevista para a área do euro, assenta na continuidade da recuperação pós pandemia, na resiliência do mercado de trabalho e na execução dos investimentos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência.

Em termos de crescimento, as projeções situam o PIB num intervalo aproximado entre 1,8% e 2,3% em 2026, refletindo alguma incerteza quanto ao enquadramento internacional, mas um consenso claro quanto ao sentido positivo da evolução económica. O comportamento do consumo privado deverá continuar a ser um dos principais motores, beneficiando da manutenção de níveis elevados de emprego, da subida dos rendimentos reais e de um contexto de inflação mais baixa. A convergência da inflação para valores próximos de 2% reduz a erosão do poder de compra e torna o ambiente mais previsível para famílias e empresas.

O investimento terá um papel determinante, em particular devido à fase final de execução do PRR, que mobiliza recursos significativos para projetos de modernização de infraestruturas, transição energética e digitalização. Este impulso deverá traduzir-se num crescimento robusto do investimento, com efeitos positivos na produtividade e na capacidade de crescimento futuro da economia. Ao mesmo tempo, a procura externa continuará a ser relevante, ainda que com um contributo mais moderado do que em anos de forte expansão do turismo. Espera-se que o setor do turismo mantenha níveis elevados de atividade, enquanto as exportações de bens enfrentarão um contexto internacional mais exigente.

No mercado de trabalho, antecipa-se a continuidade de uma taxa de desemprego historicamente baixa, próxima de 6%, e um nível de emprego elevado, ainda que o ritmo de criação líquida de postos de trabalho deva abrandar. Esta situação sustenta a confiança das famílias, mas pode manter pressões salariais em alguns setores, sobretudo onde persistem dificuldades de recrutamento. No plano das finanças públicas, projeta-se a manutenção de contas relativamente equilibradas e a continuação da trajetória de descida do rácio da dívida pública, que deverá recuar para valores inferiores a 90% do PIB, reforçando a credibilidade financeira do país.

Apesar deste quadro globalmente positivo, subsistem riscos significativos. Entre os principais destacam-se uma eventual desaceleração mais forte da economia europeia, a volatilidade geopolítica e energética e a possibilidade de perturbações nas cadeias de abastecimento. A estes somam-se desafios internos, como a baixa produtividade, os constrangimentos no mercado da habitação e a necessidade de qualificar a população ativa. Em conclusão, 2026 apresenta-se como um ano de crescimento moderado, inflação controlada e finanças públicas relativamente sólidas, mas o aproveitamento pleno deste contexto dependerá da capacidade de transformar o atual ciclo de investimento em ganhos estruturais de competitividade e de assegurar um desenvolvimento económico sustentável e inclusivo.